quinta-feira, junho 30, 2005

Linhas Atrasadas

Já houve tempos em que não pensava muito nas coisas,
Agia, sem medo
E deixava os deuses falarem pela minha boca,
Usarem o meu corpo.
Livremente.
Sem receio de vingança, ódio ou céus negros
Toldarem os meus dias.
As palavras que construiam os meus dias eram simples,
Faziam-me chorar, sorrir,
Deixavam saudade ou mágoa,
Mas nunca indiferença.
Nunca ficava tão cheia deste medo
Que agora me povoa.
E os dias eram todos novos,
Por descobrir.
A idade era irrelevante
Porque o peso do meu amor nunca era demais nos teus braços

Porque é que chegaste tão cedo,
Ninguem me responde a esta pergunta.
Porque é que partiste mais cedo ainda,
Ninguém sequer quer saber.
Caos, coincidências, acaso
Não me convencem
Os porquês de todos os pequenos turbilhoes de frases que atirámos um ao outro
O porquê de terem sido tão longos
E tão curto
O tempo
Ninguém me diz
Ninguem torna estas perguntas
Em certezas qe nunca vou ter.
Aceitamos as questões
Porque não temos tempo para as respostas, nem queremos ver de novo aquela angústia.

Só o vazio.
Nestas linhas atrasadas.

Só para que conste

Não me sinto orgulhosa, nem contente.
Nem feliz ou vaidosa.
Não penso que fiz nada que valesse a pena.
A não ser criar o caos na minha vida pessoal e profissional
Por algo que considero irrelevante.

Aprendizagens, senhores, são aquelas que fazemos cada vez que atravessamos a rua
ou abraçamos a nossa mãe.
Aprender é brincar com o nosso sobrinho de 1 ano
e descobrir que ele já diz tia.
Aprender é viver.

E não ficar fechada,
cansada,
rendida e chorosa
porque não nos conferem um papel sem copiarmos mais uma linha
de um qualquer senhor,
que não tinha mãe ou sobrinhos para abraçar,
escreveu num momento de solidão.

domingo, junho 26, 2005
Enquanto não ha tempo e há trabalhos de faculdade para fazer, deixo-vos aqui uma das minhas novas filhotas :)




Se quiserem, sugiram nomes. São 2 meninos e 2 meninas.

sexta-feira, junho 03, 2005

Mãe

Example

Em Lisboa, ainda.

...e as palavras que não querem sair, que teimam em ficar na minha garganta e que eu vou engolindo, lentamente, aspirando e que me afogam, lentamente...

Está a ser mais difícil do que disseste que ia ser, Mãe. Está a ser tão difícil. Dói tanto esta rotina diária. Dói tanto esta realidade que a pouco e pouco entra em nós e nos choca, pela crueza, pela frieza, pela dureza da sua face.

Está a ser mais difícil que uma adolescência, Mãe, que essa pelo menos traz-nos paixões e força. Aqui apenas vejo desilusões que me consomem as forças, devagarinho, enquanto tenho que tragar estas colheradas de dor diárias, como um xarope que me davas quando me faltava o ar.

Também agora me falta o ar, Mãe. Também agora morro devagarinho aqui.

São tantos sonhos, Mãe, são tantas ideias que me abandonam, tão lentamente que consigo senti-las a escorrer-me pela pele, a saír de mim.

E é tudo tão só, Mãe. É tudo em tanta solidão, são tantos (somo tantos!) em tanta solidão.

As peças do puzzle não encaixam, Mãe, estes 26 anos não encaixam em mim (nunca a minha idade encaixou...). Não faz sentido, Mãe. O único sentido que reconheço neste caos é o caminho de regresso a casa. Aos teus braços, Mãe. E não sei porque razão não o faço. A distância dos meus braços aos teus sempre foi tão curta, do meu peito ao teu. As saudades sempre estreitaram e encurtaram os nossos caminhos.

Não sei porque não o faço Mãe.
Sinto que o meu lugar é ao pé de ti, sozinha ou acompanhada. A noção (e construção) de família é para a tua filha mais velha, eu sempre fui a que vivia no mundo dos sonhos, porque esse mundo me chegava. E agora já não chega. Não chega, Mãe. Só me chegam os teus braços, que agora não estão todas as noites à minha volta, para me aconchegar, quando me deito, apago as luzes e murmuro: "Tenho saudades da minha mãe...".




Example

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